Abril, 21, fez carrancas. Amanheceu sorridente o 28, em combinação com S. Pedro, que é o senhor do tempo. E, se a 21 choveu, foi porque o pedido atrasou, não chegou, (terá partido?), ficou esquecido, pois, se fosse enviado a tempo, S. Pedro, que manda a chuva, teria dado um jeitinho, que, santo que envia a chuva, também a pode suster, e ele até simpatiza com gente que "anda" p'los rios, ou com eles, tanto faz, não fosse o responsável pelos rios que há (cá) na Terra.
Mas hoje foi diferente, alguém enviou o pedido, e terá usado mais que um meio para ser mais eficaz e não ficar esquecido, e, solícito, S. Pedro, lá enviou um sol lindo de encantar. Pelas nove da manhã, cinco ou seis dúzias de almas, entre os seis e os sessentas, mais um cãozinho simpático, juntaram-se com o mesmo fim e, abençoadas com o sol, foram caminhar nas calmas. Pedro Teiga, discursou e a seguir "desertou"(*). E muito faz este homem por uma causa que não é sua: animar e incitar aqueles que no seu passado têm um rio vivo e limpo e vivem agora quase indiferentes, convivendo lado a lado com um curso moribundo. No Caneiro nos quedamos e o Moreira falou: das lavadeiras, das pedras identificadas, do coradouro das roupas, (espaço roubado há pouco, ao rio tão maltratado), das festas que ali havia, da ribeira de Baguim, dos peixinhos... E lá o fomos seguindo, o rio Tinto, claro está, umas vezes claro, quase transparente, e outras vezes nem tanto. Uma parede inesperada, surgiu entretanto, e ia gorando o intento de quem, neste dia abençoado, queria chegar à nascente. Os organizadores, incansáveis, lá nos foram orientando. Contornamos a parede e à linha férrea chegamos. Que susto! Que "fixe"! De um lado para o outro íamos atravessando para não perdermos nada. Parecíamos actores de um qualquer filme de acção. Regressei de imediato à minha vida passada e quis experimentar se, no carril, ainda me equilibrava. No sopé do Parque Aventura, vulgo, antiga lixeira, havia uma "planície" logo ali, na Palmilheira. Um moinho lá no meio, do tempo do rio em força, descoberto por quem sabe, que quem o vê, enfeitado de heras bem verdes nesta paisagem tão calma, diria tratar-se apenas da casinha de um poeta que há muito tempo morreu e na paisagem se integrou sendo agora tudo aquilo: calma, verde, terra, pássaros... Pena o cheiro pestilento a destoar no conjunto, mais aquele rato morto e o pássaro também. Este espaço tão bonito, não passa afinal disso: belo, mas com senão. É só "plástica" como é moda, pois, basta um olhar atento para descobrir, no fundo, disfarçados, encobertos, venenos imundos. E o pobre rio, que devia ter e dar vida à terra, carrega só porcarias que ali lhe chegam da Maia e da montanha de lixo que é hoje - Parque Aventura. Saímos do espaço campestre, chegámos ao citadino. Ermesinde, Maia, Baguim, mas que grande confusão! Dum lado a auto-estrada, do outro o MacDonald's, lá ao cimo a Santa Rita... A estrada nacional é preciso atravessar e, como se adivinhasse de uma boa causa tratar-se, até o trânsito parou para nos deixar passar. Continuamos a subir, rumo a Montes da Costa que é onde a nascente se mostra. É Costa, ninguém duvida, mas dos Montes nada resta, pois, em nome do progresso, abateram-se as matas para "plantar" cimento que é (ou foi), muito rentável no nosso tempo. Lá chegámos ao destino e, à nossa espera, estava a engenheira Ana Silva um tanto atrapalhada, pois provavelmente com tanta gente não contava. Abriu-se a mina e os mais corajosos atreveram-se a descer, a contemplar... e poderão desmentir que, apesar do nome que tem, o rio, onde nasce, não é Tinto, a sua água é limpida, é cristalina, e. se não fosse tão maltratado, poderia ser recuperado. Do regresso nada sei, não pude testemunhar, um músculo traiçoeiro começou a dar sinal, obrigando-me a ficar. Aos organizadores e àqueles que deram a cara, obrigada, e, até à próxima caminhada!
(*). NA- Nesse dia, Pedro Teiga tinha agendada a participação numa reunião de uma associação de que faz parte. Mas fez questão de estar presente na parte inicial desta caminhada.
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quarta-feira, 2 de maio de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
Fomos à nascente
Hoje o tempo colaborou e pudemos caminhar à descoberta da nascente do nosso rio.
Fomos cerca de meia centena e partimos junto das piscinas.
Numa primeira paragem, junto à linha do Metro e com o rio a correr ao lado, Carlos Duarte, Pedro Teiga e Paulo Silva, fizeram breves sínteses sobre as problemáticas que continuam a afectar a saúde do rio.
Continuando a caminhada, fomos colecionando exemplos de erros básicos que têm agredido o nosso recurso hídrico. Tal como a implantação de coletores de esgotos em pleno leito do rio.
Já mais para montante, o rio com leito a estreitar (estamos perto da nascente), mas lamentavelmente sujo.
O contato com as paisagens urbanizadas deixa transparecer a incúria e os desmandos com que continuamente é confrontado.
O leito vai ficando menos largo, mas a cor das águas não augura nada de bom.
Os ataques começam bem cedo. Logo após a nascente...
Estamos quase...As águas iniciais já espreitam.
A Engª Ana Silva, técnica do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Valongo dá-nos algumas explicações, não só sobre a nascente do rio que está ali perto, como também de intervenções que a sua edilidade tem levado a cabo, designadamente nos rios Leça e Ferreira.
Devidamente protegida, ali está, já ao nosso alcance, a procurada nascente.
Há que descer uma escada...
E não foi sem uma ponta de emoção que chegámos até à nascente. Ali está a "mãe de água" do nosso rio, que, como é claro, vai, desde logo, receber outras contribuições que engrossarão o caudal.
Foi longa a fila dos que não quiseram perder a oportunidade de chegar o mais perto possível da nascente, ali no Monte da Costa, em Valongo, objectivo principal desta iniciativa.
Estava no fim esta caminhada. Algo fatigados, mas recompensados pelo contato com a origem do nosso rio, saímos dali determinados a prosseguir a luta por um rio mais protegido, mais saudável.
Um agradecimento particular à Câmara Municipal de Valongo que, amavelmente, nos disponibilizou o acesso à nascente.
Fomos cerca de meia centena e partimos junto das piscinas.
Numa primeira paragem, junto à linha do Metro e com o rio a correr ao lado, Carlos Duarte, Pedro Teiga e Paulo Silva, fizeram breves sínteses sobre as problemáticas que continuam a afectar a saúde do rio.
Continuando a caminhada, fomos colecionando exemplos de erros básicos que têm agredido o nosso recurso hídrico. Tal como a implantação de coletores de esgotos em pleno leito do rio.
Já mais para montante, o rio com leito a estreitar (estamos perto da nascente), mas lamentavelmente sujo.
O contato com as paisagens urbanizadas deixa transparecer a incúria e os desmandos com que continuamente é confrontado.
O leito vai ficando menos largo, mas a cor das águas não augura nada de bom.
Os ataques começam bem cedo. Logo após a nascente...
A Engª Ana Silva, técnica do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Valongo dá-nos algumas explicações, não só sobre a nascente do rio que está ali perto, como também de intervenções que a sua edilidade tem levado a cabo, designadamente nos rios Leça e Ferreira.
Devidamente protegida, ali está, já ao nosso alcance, a procurada nascente.
Há que descer uma escada...
E não foi sem uma ponta de emoção que chegámos até à nascente. Ali está a "mãe de água" do nosso rio, que, como é claro, vai, desde logo, receber outras contribuições que engrossarão o caudal.
Estava no fim esta caminhada. Algo fatigados, mas recompensados pelo contato com a origem do nosso rio, saímos dali determinados a prosseguir a luta por um rio mais protegido, mais saudável.
Um agradecimento particular à Câmara Municipal de Valongo que, amavelmente, nos disponibilizou o acesso à nascente.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Caminhada à nascente adiada
Dada a instabilidade meteorológica que se tem feito sentir, a Caminhada à Nascente fica adiada por uma semana.
Assim, e esperando que as condições entretanto se alterem, iremos levar a cabo esta actividade, no próximo dia 28, partindo do mesmo local e à mesma hora.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Prepare-se para a Caminhada à Nascente
É já no próximo sábado.
Junto às piscinas de Rio Tinto, perto da paragem do Metro que tem precisamente o nome da nossa cidade, partiremos , pelas 9 horas.
Vamos, desta vez, em direcção à nascente do rio, que muitos não conhecerão.
O percurso, não sendo particularmente difícil, é algo longo. Prepare-se, pois, para cerca de duas horas e meia de marcha. Leve calçado apropriado para enfrentar algumas asperezas e não se esqueça de uma garrafinha de água.
No regresso, para quem quiser, há autocarros das carreiras normais dos transportes colectivos, que têm paragens perto da Igreja da Santa Rita e que permitem regressar ao centro de Rio Tinto.
Venha conviver com um troço que, sendo menos conhecido, é bem importante, pois já ali são visíveis alguns dos problemas que afetam este nosso curso de água.
Contamos consigo!

Junto às piscinas de Rio Tinto, perto da paragem do Metro que tem precisamente o nome da nossa cidade, partiremos , pelas 9 horas.
Vamos, desta vez, em direcção à nascente do rio, que muitos não conhecerão.
O percurso, não sendo particularmente difícil, é algo longo. Prepare-se, pois, para cerca de duas horas e meia de marcha. Leve calçado apropriado para enfrentar algumas asperezas e não se esqueça de uma garrafinha de água.
No regresso, para quem quiser, há autocarros das carreiras normais dos transportes colectivos, que têm paragens perto da Igreja da Santa Rita e que permitem regressar ao centro de Rio Tinto.
Venha conviver com um troço que, sendo menos conhecido, é bem importante, pois já ali são visíveis alguns dos problemas que afetam este nosso curso de água.
Contamos consigo!
terça-feira, 10 de abril de 2012
Vamos à nascente do rio
Durante a 5ª Caminhada pelo Rio recebemos algumas sugestões no sentido de efectuarmos nova marcha, desta vez em direção à nascente, troço que muitas pessoas desconhecem.
Correspondendo a esses apelos, agendámos, para o próximo dia 21, com partida às 9 horas junto das piscinas de Rio Tinto, uma Caminhada até à nascente do rio Tinto.
Anote, desde já, na sua agenda, e venha participar nesta iniciativa do Movimento, que reedita, aliás, uma iniciativa que há tempos já levámos a efeito.
Correspondendo a esses apelos, agendámos, para o próximo dia 21, com partida às 9 horas junto das piscinas de Rio Tinto, uma Caminhada até à nascente do rio Tinto.
Anote, desde já, na sua agenda, e venha participar nesta iniciativa do Movimento, que reedita, aliás, uma iniciativa que há tempos já levámos a efeito.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Uma dura realidade
Por isso, se, mais para baixo, há um caudal visível, é legitimo concluirmos que, afinal, o que parece ser um rio, não é mais do que um esgoto a céu aberto.
Há responsáveis por esta situação.
Que têm de ser denunciados, persistententemente.
A denegação do nosso património natural, não pode ficar impune.
Da próxima Conferência de Copenhaga, a realizar em Dezembro, espera o Mundo medidas concretas que possam inverter o estado de degradação do ambiente a que estamos a assitir.
Mas, para além das grandes cimeiras, há toda uma mudança de mentalidades e atitudes, que deve começar por se expressar nas aparentemente pequenas batalhas que travamos bem perto das nossas casas.
A batalha pela recuperação do rio Tinto, é uma delas.
E dessa batalha não abdicaremos!
sábado, 17 de outubro de 2009
Caminhada até à nascente do rio
Começámos junto do antigo Mercado de Rio Tinto.
Na parte inicial, fomos parando junto das obras do Metro, onde confirmámos a existência de diversos novos atentados à integridade do rio, que aqui já temos reportado.
Mas os tubos de descargas ilegais, continuam impunes.
Um último obstáculo que se transpõe com uma ajuda solidária...
Mas, da nascente já não brota a água original.
Nesta zona , quase escondida, nasce o nosso querido rio.
Tudo está seco.
Desoladoramente seco.
Uma lixeira. Um amontoado de erros ambientais. Uma infindável teia de interesses obscuros, de incúrias inadmissíveis, de negligências condenáveis.
Tapar o rio, escondê-lo dos nossos olhos, parece ser a solução encontrada por decisores a quem ela convirá. Ou por quem, menos informado ou já desesperado por ter de conviver com as consequências degradantes da poluição que assoberba o rio, concede, com o seu desespero, mais um pretexto para novos desmandos.
Mas nós, cá estaremos. Com uma voz que poderá parecer idealista ou mesmo insignificante.
Mas, quanto mais não seja para ficarmos com a nossa consciência limpa, não nos calaremos.
Se outros calam, falemos nós.
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