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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ainda que ilusioriamente inelutável

Neste espaço, para além de notícias, apelos, desabafos, ecos das actividades do MoveRioTinto, há também lugar para darmos à estampa, colaborações diversas que nos cheguem, directa ou indirectamente relacionadas com o nosso rio ou com a defesa do ambiente em geral.

Neste contexto, divulgamos hoje um texto poético da autoria de Carlos Duarte Magalhães:

Ainda que ilusoriamente inelutável
Não te deixaremos cair no esquecimento.
Sim rio Tinto, o esquecimento!
Esse mal, “o maior mal do mundo”...
Por ti...
Combateremos contra a forma decadente que te impõem,
Não apenas de faz-de-conta, mas visivelmente hipócrita.
Por ti,
Denunciaremos os invisíveis duplos e cúmplices dos actos
Que te menosprezam e agridem, e te escondem.
Por ti...
Empregaremos o espírito e a ousadia de te enaltecer
Por ti
Arriscaremos desfazer o cepticismo, o cinismo
E o bom-senso político-cultural, que de ti nos tem afastado
E permitem, que sejas um escudo útil.
De escudos lembras-te tu
E melhor que ninguém!
E dos homens que, empunhando-os caíram
E te mancharam com o seu sangue.
E tu, rio Tinto,
Continuaste a correr lavando a dor e de cabeça erguida,
Foste fonte de vida e pão dos homens que te adoptaram.
Por ti, rio Tinto,
Estaremos contigo!
Por ti perguntamos,
Quando se dispõe a turba, a multidão que te fere,
A abrir-te a porta do “bunker” em que te querem meter?


Carlos Duarte Magalhães

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Um poema

A Professora Lígia Bastos é uma das mais fiéis amigas do nosso rio.
Acaba de nos remeter um poema de sua autoria que, com todo o gosto, aqui divulgamos, com os nossos agradecimentos.


O RIO TRISTE

Nasci entre calhaus
Musgo e limos.
Águas tintas por baptismo.
Tintas do meu leito
Ferrugento, rubro,
Ou… sangue mouro?
Corri livre e solto
Com pressa de chegar
Ao grande Douro!
Transporte para o mar,
Manso ou revolto
Em canções d’embalar.

Nasci entre calhaus.
Corri livre e solto
Com pressa de chegar.
Água cristal a cantar.
Lavadeiras em desafio.
Gentes saboreando frescura.
Rega de tanta verdura…
Minha liberdade cessou,
Minha liberdade um caos.
Minha fada madrinha
Bem mal me fadou!

Por que a gente me despreza?
Sou lixo? Sou montureira?
Água entubada? Prisioneira?
Desprezaram a Natureza,
Mataram-me a beleza.

Hoje em oração
Noite e dia a implorar:
Deixem-me respirar!
Eu sou um rio.
Um rio de verdade.
Tenho a vida por um fio.
Quero viver.
Devolvam-me a liberdade!
Água límpida a correr!

LÍGIA BASTOS 03/07/09